janeiro 28, 2017

I want to wake up in a city that never sleeps!!! Lai, lai, lai, lai, lai lai...


Então cá estou eu novamente, meus queridos amigos, leitores, companheiros!
E volto aqui à Tasca para vos contar tudo sobre a mais recente viagem que a vossa Cristininha fez.
E perguntam vocês: "Então mas isso agora é todos os dias??" E eu respondo-vos que não. Era bom que fosse todos os dias, era. Eu era menina para não ficar muito incomodada por ir a uma NY, a uma Sidney, a uma Zanzibar, a uma Buenos Aires, assim numa base diária, ou então, vá... numa base semanal, só para dar tempo de recuperar do jet lag. Mas a coisa só se dá de vez em quando, o que já é muito bom!
Desta vez, esperava-me uma viagem surpresa. O meu homem, que está sempre atento aos gostos e desejos de sua querida esposa, planeou uma viagem a Nova York, precisamente no dia do meu aniversário e uns dias antes fez-me a surpresa. Isto sim, é um marido, pá!
Já tinha estado em Nova York, há 3 anos acompanhei o homem numa viagem de trabalho, precisamente a esta cidade. Passámos lá 4 dias maravilhosos, pese embora só nos dois últimos dias é que ele me tenha podido acompanhar, porque ia em trabalho.
Nessa viagem descobri uma das cidades que mais me surpreendeu. Ia com aquela ideia de que era uma cidade grande, impessoal e talvez até insegura. Mas parti daqui com grandes expectativas porque Nova York faz parte do imaginário de qualquer um, nem que seja pela quantidade de vezes que a cidade é palco dos filmes de Hollywood. E então descobri que Nova York não é nem impessoal, nem insegura. Nova York é somente maravilhosa.
E no passado dia 20 de Janeiro, dia em que a menina completou 45 primaveras, lá embarcaram estes dois Pilgrims para a Big Apple.
Bom, para começar, esta viagem começou logo abençoada com a quantidade de "coincidências" que a envolveu, senão vejam só: fomos para Nova York no dia 20/01, no voo TAP 201; fomos para Nova York, no dia em que fiz 45 anos, e no dia em que o 45º Presidente dos Estados Unidos tomou posse. Hã, e esta? Chegámos a Nova York e estavam 20 graus... não estavam nada estou a brincar! 😃😃
Mais uma: como saímos de Lisboa ao final da manhã, ainda deu tempo de soprar as velas com as nossas meninas. No dia anterior o maridão comprou um bolo de aniversário. Sabem quanto custou o bolo? €19,72 - 1972 o ano em que nasci!!!
Bom, se foi por esta série de coincidências que a viagem correu tão bem, então, que venham mais destas porque foi mesmo muito, muito fixe.

Gostaria de fazer aqui um pequeno "intróito" antes de entrar nos pormenores escaldantes e dizer-vos que o meu companheiro de viagem (e de vida, já agora) é assim a melhor pessoa que podemos levar numa viagem. ele trata de TUDO! Para além de marcar viagens, hotéis, transportes, transfers, o homem sabe orientar-se em to-do o la-do. Ah vais para o Sri Lanka, e queres passear por todo um sri Lanka Sul e norte como se de um nativo se tratasse?? Leva o Steve! Ah queres andar de táxi, Uber, My Taxi, riquitó, catamaran, lambreta ou outro qualquer meio de transporte? Steve sabe de uma app (normalmente a mais barata de todas) e num instantinho estás no destino desejado e quase de graça (note-se  que esta característica reveste-se de particular interesse para esta menina que, como sabem, um dia saiu de casa para comprar Pasteis de Belém e foi parar ao Barreiro). Ah queres uma maluncha que uns vendedores de rua estão a vender mas ainda assim achas que a bicha tá cara? Steve consegue-te a mala a metade do preço! Queres um companheiro de caminhada, corrida e de compras? Who you gonna call??? Steve Buster!!!
Isto tudo para vos dizer que toda a gente devia ter um Steve, ou um mini Steve, vá, porque o original é meu e já só estão disponíveis as miniaturas, portanto, não se ponham a jeito!!!
Bom mas voltando à viagem a NY. Meninos, foi maravilhosa! Como da última vez que lá estivemos, vimos quase tudo o que são atracções principais, desta vez já íamos naquela tranquilidade de já termos visto muita coisa e tudo o que viesse por acréscimo, era lucro. Já fomos daqui com uma reserva: o jogo da NBA entre os NY Nicks e os Phoenix Suns, nessa arena mítica que é Madison Square Garden, e era algo que queríamos muito fazer. Já tínhamos assistido a um jogo da NBA em Miami - os Playoff entre Miami Heat e os Brooklyn Nets. e foi um espectáculo memorável. Por se tratar de Playoffs a coisa foi para cima de espectacular. Eu estava siderada com aquilo tudo. Desta vez também não desiludiu, claro, assistir a um jogo de NBA no MSG é um big, big cheeeeeeeeck na Bucket List.








A arena estava cheia, cheia e todo aquele espectáculo à volta do jogo, o hino cantado ao início, as Cheerleaders, o speaker, os famosos que estão a assistir ao jogo e que cumprimentam o público nos ecrãns gigantes, é tudo espectacular. No jogo que assistimos em Miami estava lá a Rihanna, neste jogo, estava o Hugh Jackman e mais uma série de famosos. É, de facto, viver mais um pouco do imaginário americano ali naquele local.

Também queríamos visitar o Museum of Natural History, que da outra vez não tivemos tempo de visitar. E lá fomos nós, a pé, como andámos sempre (desta vez nem pusemos os pés no Metro, andámos sempre a pé), num dia de frio mas em que o sol decidiu dar o ar da sua graça fazendo com que caminhar naquela cidade magnífica ainda se tornasse mais mágico.
O Museu é magnífico. A primeira agradável surpresa foi logo á entrada. Quando fomos comprar os bilhetes, a senhora da bilheteira disse-nos que podíamos pagar o que quiséssemos!?! Oi?? For real? Yes, for real, a entrada neste e noutros museus é o que quisermos dar, o que é espectacular!! Devia ser assim em todo o lado.



Como sabem, este museu é o palco do filme "Á Noite no Museu" e logo por isso a visita torna-se super divertida porque podemos ver ao vivo aquilo que, mais uma vez, já vimos nos filmes de Hollywood. A visita é super interessante e está tudo magistralmente bem feito. Os animais parecem mesmo, mesmo verdadeiros, a sério, é incrível, A ala dos dinossauros é impressionante. Um dos dinossauros ocupa uma sala inteira e é tão grande que a cabeça tem que ficar do lado de fora, a espreitar para o corredor! O Dum Dum é gigante e sendo uma das personagens preferidas da nossa filhota, que é fã do filme, fartamo-nos de tirar fotos para lhe mostrar e também  aproveitámos para comprar uns um Dum miniaturas na loja do Museu.
A determinada altura chegamos a um local onde podemos apreciar uma baleia enorme que ocupa todo o corpo central do Museu e que está exposta ao longo dos 4 pisos do Museu, suspensa, como se estivesse no mar. É, de facto, imponente!













Depois desta visita, mais caminhada, algumas comprinhas e revisitar alguns locais que tínhamos visitado há 3 anos atrás.
Tenho de vos contar também sobre o meu jantar de aniversário. Como sabeis, festejei o meu aniversário no dia em que chegámos a NY e a ocasião pedia um jantarucho especial. Uma querida amiga, suuuuuuper habitué de NY recomendou-me imensos restaurantes, daqueles movie star, mesmo. A escolha recaiu então no Buddakan, o restaurante mais espectacular que eu alguma vez entrei. Bom, para além de LINDO de morrer, este restaurante tem uns pratos que são uma obra de arte. Eu não sou grande apreciadora de cozinha asiática, a mim quem me tira uma sande de coirato à porta do Estádio da Luz, tira-me tudo, mas caramba, este restaurante é qualquer coisa!!!
Claro que para ler os menus a malta quase que precisa de uma lanterna porque o local é todo à meia luz, o verdadeiro jantar à luz das velas e ainda bem, porque é melhor não ver bem mesmo, sobretudo os preços, mas isso agora não interessa nada.
Escolhi este restaurante também porque, não sei se vocês sabem mas eu sou fanzona da série "O Sexo e a Cidade" e houve um episódio em que a Carrie Bradshaw foi lá jantar com o Mr. Big e, por acaso é um episódio de que eu me recordo muito bem.


Curiosamente, outra das recordações que tenho desta série também nos levaram a fazer algo que queríamos fazer há muito - correr em Central Park!
Num episódio do Sexo e a Cidade a Charlotte, que sempre foi fã de corrida, fica num dilema porque tendo engravidado não sabia se deveria continuar a correr ou não. Depois de as suas amigas a incentivarem a continuar com algo que lhe dava tanto prazer e depois de se aconselhar com o seu médico a Charlotte volta a fazer a sua corrida em Central Park. Então, a imagem de uma Charlotte feliz, feliz a correr naquele parque que é tão carismático e um dos ex-libris da cidade de Nova York, foi algo que guardei sempre como uma coisa que queria um dia fazer e realmente foi uma experiência fantástica!
Fizemos boa parte da corrida no central Park e depois viemos a correr até ao Hotel, passando, claro, pela Trump Tower, a ver se víamos a Melania, mas ela estava a tomar banho.


Para quem já conhece Central Park, com certeza que sabe que a quantidade de gente que lá vemos a correr é assim uma coisa do outro mundo! Colunas de corredores percorrem as estradas do Parque. Nós fomos bem cedinho e já haviam muitas pessoas a correr. Voltámos ao Hotel para tomar banho e rumámos ao Museu de História Natural, tendo passado, de caminho, novamente pelo central Park, e nesta altura, um pouco mais tarde, o número de pessoas a correr tinha triplicado! Depois há também centenas e centenas de habitantes que passeiam os seus cães, que são assim a coisa mais querida deste mundo. Bom, ver cães a correr livremente no verde e pelo meio dos arbustos e afins, já é uma maravilha, mas quando a isso se juntam as raças "estranhas" que podemos ver por lá, mais divertido é. Vêem-se muitos cães que se percebe que são misturas de raças. O que mais vemos é o Labradoodle - Labrador + Poodle que é absolutamente amoroso! Dá vontade de pegar em meia dúzia e trazer para casa! Depois há os BullPugs - Pug+Bulldog Terrier, os YorkiePoo - Yorkshire + Poodle, os Pitsky - Pittbull +Husky, só para referir alguns. É a chamada bandalheira canina.

Falta falar de quê? Ah,falta falar do Hotel, claro. O Hotel (mais uma vez tudo tratadinho pelo meu Steve, versão 10.9) era magnífico! No coração de uma das zonas que eu mais gosto em NY - Times Square.
Afinal ele existe e está em times Square!!
Vista do nosso quarto


Ficámos no 27º andar do Novotel Times
Square, que era muito, muito bom, todo renovado há pouco tempo, o quarto maravilhoso, boa cama, almofadas que eram um luxo e uma vista de cortar a respiração sobre Times Square - uma maravilha! Para além disso, como era o meu aniversário, quando cheguei ao quarto tinha esta bela surpresa. um bolinho com um cartão do Hotel a desejar Feliz Aniversário. Fiquei ainda mais fã!
Times Square é daqueles locais que se me pusessem lá sentada numa cadeira a olhar para tudo o que se passa neste local, só sem mais nada, eu ficava lá de bom grado! Ele é luzes, ele é lojas, ele é homens e mulheres vestidos de bonecos, ele é a Broadway ali ao lado, ele é a Mega Store dos M&M's, ele é carros dos NY Fire Department lá parados só para tirarmos uma foto, eu sei lá... aquilo é um festival!

E pronto, acho que é tudo. Foi lindo! Foi um aniversário, que caraças, vai lá vai, foi muita TOP!
Se por um lado eu até acho que mereço porque sou boa moça e pratico a reciclagem e coise, por outro lado, um maridão que nos surpreende com um presente destes, não é para todas! Tenho que o estimar bem, pode ser que aos 50 anos me calhe Bora Bora 😂😂😂😂




























janeiro 13, 2017

ROMA - Part IV

Hoje é dia de vos falar da visita ao Museu do Vaticano, mas como não consigo escrever sobre tudo o que vimos neste Museu, porque é, de facto, um local sublime, magnífico, extraordinário e mais uns quantos adjectivos que se lembrem, optei por vos falar, por agora, da Capela Sistina.
Para quem ainda não teve oportunidade de visitar esta maravilha, hoje deixo-vos aqui um pouco da sua história, o que podemos ver representado e também algumas curiosidades, as tais “estórias da história”, que para não variar, são mais que muitas. A importância histórica e artística da Capela Sistina é incomensurável e incomparável, porque além de ser o local onde se realiza o conclave, ela também  reúne  alguns dos maiores artistas do mundo ocidental.
A Capela Sistina é assim o paraíso dos amantes da arte. Fazendo a analogia com o amante de doces, é como o guloso que entra numa pastelaria e tem à sua disposição três montras de éclairs de chocolate, ducheses, pirâmides de chocolate, bolas de Berlim com creme, pastéis de nata, croissants do Careca rins e outros que tal. E foi como um grande guloso diante do maná que eu me senti quando entrei naquela que é a capela mais famosa da história. Para os admiradores e sobretudo para os futuros visitantes, espero que este texto vos deixe com mais vontade ainda de visitar e vos ajude a desfrutar da beleza e história  desta obra prima.

Para começo de conversa devo dizer que sempre imaginei a Capela Sistina como o nosso Mosteiro dos Jerónimos, em termos de dimensão. Mas não. A Capela Sistina, não sendo minúscula, porque não é, trata-se de uma capela, e as capelas, por norma, não são enormes, nem grandiosas, são locais de devoção de dimensões mais reduzidas. Não foi de forma alguma uma desilusão, porque é impossível alguém sentir-se desiludido quando ali entramos, foi antes uma surpresa.
Então, se tiverem um pouquinho de paciência, vamos lá a um pouco de história para percebermos as origens da Capela Sistina.  

A Capela Sistina faz parte do Palácio Apostólico, que é a residência oficial do Papa. O nome Capela Sistina vem do Papa Sisto IV que, entre os anos de 1477 e 1480, foi responsável pela restauração da Capela Magna. Desta capela foram utilizados os alicerces para a construção da Capela Sistina.
Uma vez construída, vários artistas – entre os quais Domenico Ghirlandaio, Pietro Perugino e Sandro Botticelli – deram início à pintura de diversos frescos (que podemos ver no nível médio da capela), que retratam episódios religiosos bem como retratos papais. Estes trabalhos ficaram concluídos em 1482 e, um ano depois, o Papa Sisto IV, numa missa, consagrou a Capela Sistina à Nossa Senhora da Assunção, denominação dada a Maria, mãe de Jesus.
Mas, uma das maravilhas da Capela Sistina é, como sabem, o seu teto, que foi pintado por Michelangelo. Anos depois da inauguração da Capela, em 1508, Michelangelo foi chamado a Roma pelo então papa Júlio II para esculpir o seu mausoléu, mas por ironia do destino, Michelangelo acabou por ser convidado a pintar o teto da Capela Sistina ao invés do trabalho que tinha sido inicialmente contratado.
Reza a história que Michelangelo teria aceite o trabalho contrariado, porque, como já vos disse no texto da Pietà, Michelangelo considerava-se um escultor e não um pintor. Michelangelo, achava que esta comenda de pintar o teto da Capela Sistina se tratava de uma manobra dos seus rivais para desviá-lo da obra para a qual havia sido chamado a Roma: o mausoléu do Papa. No entanto, dedicou-se à tarefa e fê-lo com tanta mestria que ofuscou o brilho das obras-primas que os seus antecessores já tinham pintado na Capela. Como referi anteriormente, a Capela já tinha frescos de artistas como Sandro Boticelli, Perugino, etc.
Michelangelo demorou quatro anos a pintar o teto da Capela e fê-lo com grande dificuldade, pois teve que trabalhar deitado em cima de um andaime de 16 metros de altura e pintar sobre a sua cabeça. Isto fazia com que a tinta pingasse para a sua cara e olhos, o dia todo. Para além disto, de tanto contorcer o corpo nos andaimes, Michelangelo ficou com reumatismo e escoliose. Diz-se que, terminado este trabalho, Michelangelo nunca mais conseguiu ler na posição normal de leitura tendo de ler, na posição com que pintou os frescos.
Terminada esta empreitada do teto da Capela Sistina, e no pontificado do papa Paulo III, Michelangelo é convidado a voltar à Capela Sistina para pintar, na parede atrás do altar, um fresco com o tema O Juízo Final. Esta pintura demorou por volta de 5 anos a ser feita.
O artista pagou um preço muito alto por estes anos de trabalho. A sua visão ficou irremediavelmente prejudicada. Michelangelo relatou que, quando, com apenas 37 anos, terminou os trabalhos no teto da Capela, “os seus amigos ficaram impressionados com o homem envelhecido que ele se tornara”.
Os frescos da Capela Sistina estão cheios de histórias mirabolantes, comecando logo pelo facto de Michelangelo odiar o Papa Júlio II, "O Terrível", que lhe encomendou esta obra, e de ter pintado estes frescos muito contra a sua vontade, (não se esqueçam que Michelangelo não  se considerava um pintor mas sim um escultor) tendo por isso, levado a cabo a sua pequena vingança, escondendo nas suas personagens mensagens esotéricas e críticas veladas à decadência da igreja. (mais à frente conto-vos uma história curiosa sobre esta animosidade). Embora o tenha feito com "elegância" codificando essas mesmas mensagens de forma a iludir a vigilância do papa e a evitar a sua própria morte, Michelangelo soube, com mestria imortalizar a sua revolta.
"Quando estará pronta a minha capela"?, perguntava Júlio II, ameaçando substituir Michelangelo, caso não desse conta do recado. "Quando eu puder", era a resposta do artista, mostrando claramente a sua falta de paciência, para além das dificuldades financeiras e problemas de saúde que o atormentavam. 
Apesar de tudo, Michelangelo Buonarroti dedicou-se realmente a este trabalho. Certa altura, em que estava a pintar um local escuro num canto do teto da Capela, com todo o afinco que lhe era conhecido, alguém lhe perguntou: “Porque te esforças tanto a pintar um canto escuro do teto, que possivelmente ninguém verá”, Michelangelo simplesmente respondeu: “Deus verá”. 

Então, um dia, quando forem visitar (ou revisitar) tenho a certeza que – para os que ainda não conheciam bem algumas curiosidades que vos contarei – facilmente identificarão os personagens e a visita tornar-se-á muito mais interessante, acreditem.
Vamos então começar pelo tecto.


O teto da capela Sistina tem nove painéis centrais que podem ser divididos em três  grupos de três painéis.  O primeiro grupo mostra Deus como criador, o segundo grupo mostra a história de Adão e Eva e o terceiro grupo conta a história  de Noé e também do dilúvio. Os painéis são :

1 - Deus separando a Luz das Trevas,

2 - Deus criando o Sol e a Lua,

3 - Deus separando a terra das águas

4 - A Criação de Adão
Existem teorias, que acho bastante credíveis, que dizem que Michelangelo, retratou nos frescos da Capela Sistina, orgãos do corpo humano ocultados nas suas personagens. A ser verdade, são centenas de imagens que de uma forma ou outra contém em si, reproduções fieis de órgãos do corpo humano, o que ainda acrescenta mais ao génio deste artista, que para além da mestria na pintura e escultura, detinha um conhecimento muitissimo profundo da anatomia humana.
Diz-se também que Michelangelo o fez, mostrando mais uma vez, a sua rebeldia, já que, esta representação do corpo humano iria contra o dogma da igreja católica.
Como exemplo, vejamos um dos frescos mais famosos do teto da Capela Sistina - A Criação de Adão.
Várias teorias apontam para que Michelangelo tenha representado neste fresco, um cérebro humano. Se olharmos para lá do "boneco" que nos é mostrado, podemos ver Deus representado dentro de um cérebro e com o seu toque a Adão, o artista representa o racionalismo mas de forma disfarçada.
Mais à frente no texto podemos ver mais um exemplo destas representações de orgãos humanos, na sibila de Cumas.


5 - A Criação de Eva

6 - O Pecado Original e A Expulsão do Paraíso

7 - O Sacrifício de Noé

8 - O Dilúvio Universal 

9 - Noé Embriagado com vinho
A titulo de curiosidade, quando visitarem a capela, olhem para este fresco e reparem que tem uma parte danificada. Mesmo depois de ter sido restaurada, deixaram este pedaço como esrava. Esta parte que falta foi provocada por uma explosão  de pólvora num deposito próximo  do Vaticano, em 1787 e que provocou a queda de parte do fresco.

Outro aspecto interessante destes frescos são os Ignudi. 
Em torno dos nove painéis existem 20 homens nus. Estas pinturas de homens nus incomodaram muitos papas e por pouco o teto não foi lavado e totalmente apagado. Em 1565, um ano após  a morte de Michelangelo, um pintor chamado Daniele da Volterra cobriu minimamente as pinturas para que não fossem destruídas.
Somente durante o pontificado de João Paulo II, é  que os restauradores foram autorizados a remover as folhas de figueira que Volterra usou para cobrir os homens nus. Por toda a capela foram removidas 17 pinturas de Volterra, enquanto que 23 não puderam ser removidas porque a sua remoção concerteza danificaria a obra original.
Estas pinturas mostram uma vez mais a mestria de Michelangelo para reproduzir a anatomia humana e na altura levantaram muitos boatos sobre a possível homossexualidade de Michelangelo.




Na região mais lateral do teto estão retratadas as Sibilas – mulheres da mitologia greco-romana, que possuíam poderes proféticos e que teriam anunciado a vinda de Cristo, 


A Sibila de Cumas é um dos exemplos onde podemos ver o código secreto que, alegadamente Michelangelo espalhou por muitas das suas personagens do teto da Capela Sistina, ao representar de forma "disfarçada" orgãos do corpo humano. 
No fresco da ninfa de Cumbas pode ver-se a fiel reprodução anatómica do saco pericárdio e dos grandes vasos sanguíneos. 
A bolsa pendurada pela alça com uma franja vermelha e que mostra um pouco de um rolo de papel corresponderá ao pericárdio e aos grandes vasos. A veia cava é representada pela alça da bolsa. A franja vermelha representa a borda do diafragma, inserida no pericárdio. 
Já a coxa e a perna direita da sibila chamam a atenção tanto pelo volume como pela cor vermelha iluminada e pela representação leiga de um coração. Também nesta cena, Michelangelo retratou, sob outra perspectiva, o coração com o saco pericárdio aberto.

Confusos? Eu também, mas ainda assim maravilhada com estas descobertas.





Também estão representados na região mais lateral do teto, os profetas do Velho testamento: Zacarias, Joel, Isaías, Ezequiel, Daniel, Jeremias e Jonas.

Zacarias




























O profeta Zacarias foi pintado com as feições do Papa Júlio II. Esta pintura mostra o Papa a ser "insultado" pelas costas por dois anjos - a garantia disso é que um deles faz uma figa com a mão direita, gesto esse que seria na época o equivalente ao nosso dedo médio em riste. 
Papa Júlio II
















Os Profetas

Joel
Isaias

Ezequiel

Daniel

Jeremias
Esta imagem de Jeremias, Profeta do antigo Testamento, poderá tratar-se de um auto retrato de Michelangelo. Ele aparece aqui como um homem de pensamentos profundos, e numa posição de dor amargurada. Mais do que uma vez, Michelangelo se autoretratou nestes frescos, sempre numa perspectiva que salientava o seu sofrimento e cansaço fruto certamente do cansaço e mazelas fisicas que esta obra lhe trouxe.

Jonas

Bom, mas nem só de teto vive a Capela Sistina. Outra das grandes atracções é o fresco O Juízo Final que se encontra na parede do altar da Capela.

Há tanta, mas tanta coisa para dizer sobre este fresco que, honestamente nem sei por onde começar!
Michelangelo inicia a pintura d' O Juízo Final (Il Giudizio Universale)  por volta de 1536 concluindo este projecto em 1541, a pedido do Papa Paulo III. Quando o artista retornou à Capela Sistina para pintar esta obra, tinha quase 60 anos.
O Juízo Final é composto por cenas religiosas e mitológicas e tudo gira em redor da figura de Cristo.
Diz-se que este Cristo, foi inspirado na escultura Apolo de Belvedere, que representa o Deus grego Apolo e que também se encontra no Museu do Vaticano.
O Juízo Final demorou 5 anos a ser feito, vinte anos depois do artista ter pintado o teto da mesma Capela. A obra é majestosa, com 13,7 metros de largura por 12,2 de altura, aproveita toda a parede que fica atrás do altar e descreve a segunda vinda de Cristo e o juízo final, como narrado na Bíblia. As almas dos seres humanos ascendem ao Paraíso ou descem ao Inferno, dependendo de como são julgadas por um Cristo cercado se santos importantes, como Pedro, Catarina de Alexandria, Lourenço, Bartolomeu, Paulo e João Baptista.

A obra está  organizada sa seguinte forma:
- Dois trechos superiores que pertencem à ordem celestial (onde se concentra o maior número de figuras)

- Dois trechos inferiores que pertencem ao mundo terreno e ao inferno (e que são inspirados n'A Divina Comédia, de Dante Aligheri)

Este fresco aglomera cerca de 400 personagens, entre santos, apóstolos, mártires, virgens, anjos, homens... enfim, uma paleta imensa de figuras.
Estas personagens estão representadas em diferentes tamanhos, de acordo com a importância de cada uma, sendo que as maiores são as que representam a ordem celestial.
O grupo central, onde podemos ver Cristo, é o que apresenta maior escala, naturalmente.
Michelangelo dispôs as figuras da seguinte maneira:

- Na parte superior da parede - Cristo, a Virgem e dois grupos de santos e de mártires
- Ao centro - os anjos com trombetas e dois grupos de eleitos, subindo aos céus, enquanto os condenados são lançados ao inferno

- No alto da composição - os anjos com os símbolos da paixão (vão subindo até à imagem para irem seguindo esta descrição)

Na base do fresco encontram-se:
- à esquerda - a ressureição da carne
- ao centro - a boca do inferno
- à direita - Coronte atravessando os condenados na sua barca, em direcção a Minos e outros demónios

S.Pedro devolvendo as chaves a Cristo
Na parte superior, Jesus Cristo, figura central da composição, que nos é apresentado num nicho de luz dourada, está sentado acompanhado pela Virgem e rodeado pelos doze apóstolos, João Baptista, anjos, eleitos e santos. Os últimos são identificáveis pelos atributos que carregam ou, se preferirem pelos instrumentos de tortura que os mataram: S. Pedro devolve as chaves a Cristo, S. Paulo com o seu semblante grave a a barba branca, S,Sebastião com as flechas na mão; Santa Catarina com a roda de facas; Sto. André com a cruz em forma de "X"; S. Lourenço com a grelha do seu martírio e S. Bartolomeu com um escalpelo na mão direita e uma pele humana na mão esquerda.

S. Bartolomeu
Neste último santo, Michelangelo mais uma vez se autoretrata na pele que S. Bartolomeu segura, fazendo uma vez mais referência ao despojo humano em que se encontrava.
Diz-se também que S.Bartolomeu terá sido pintado com as feições do Papa Paulo II numa alusão ao facto de este Papa ter tido sempre uma atitude tirânica para com o artista.

Santa Catarina em 1º plano.


S. Sebastião segura uma escada que simboliza a grelha onde foi queimado vivo.
Acima de Jesus Cristo e do seu grupo, estão anjos que carregam os atributos da sua paixão: a cruz, a coroa de espinhos, os cravos e a coluna de flagelação. Jesus Cristo é o centro temático e simbólico da cena e também o centro da obra, obviamente. 
Neste fresco, Jesus Cristo, é retratado de forma diferente do que normalmente é. Aqui está sem barba, tem o cabelo curto e apresenta um corpo atlético, quase nu, como um Deus Greco-Romano, envolto apenas por um manto que lhe cobre as costas e a genitália. Tal como referido atrás, esta representação de Cristo teve inspiração na escultura de Apolo de Belvedere, um deus grego.
Jesus é uma figura musculosa, é o grande juiz cujo trono é feito de nuvens. A sua cabeça e mão direita, assim como o seu olhar estão voltados para o grupo de santos que se encontra à sua esquerda. Nos seus pés e mãos ainda podemos ver as marcas da flagelação. A mão direita levantada acima da cabeça exprime autoridade e determinação, sinal de que chegou a hora de julgar os justos e os pecadores, de modo a que os primeiros ascendam aos céus e os segundos sigam para o inferno. Não se trata de um Cristo misericordioso, mas sim de um juiz terrível.
Os bons a serem puxados para o cèu
Por baixo de Cristo encontram-se os sete anjos do Apocalipse, que fazem soar as suas trombetas, anunciando a hora do Juízo Final para toda a humanidade. Um deles segura o livro da Vida e o outro, o Livro da Morte. à direita deles, os bons vão deixando os seus túmulos, puxados por outros anjos,
Uma destas personagens do grupo que vai para o inferno , com a mão no rosto, em atitude de horror, é puxado por demónios até à barca que o levará para o inferno, uma imagem, cheia de expressividade e emoção.


A Virgem Maria, bem menor que o seu Filho, está sentada à sua esquerda, em atitude de súplica, implorando-lhe clemência para com a humanidade, enquanto olha entristecida para o mundo terreno abaixo. No entanto, jesus Cristo não parece escutar as súplicas da sua mãe.

Todas as figuras flutuam no espaço sem gravidade, tendo por fundo um maravihoso céu de lápis-lazuli, com excepção das cenas da ressurreição da carne e as do inferno. Enquanto algumas pessoas ascendem ao céu, outras aterrorizadas, lutam para não serem empurradas para o inferno.

Este fresco também é conhecido por toda a polémica que causou, e pelos debates que desencadeou pelos críticos da Contra Reforma Católica (só para vos situar a Contra Reforma ou Reforma Católica tratou-se de um movimento que visava anular a Reforma Protestante iniciada por Lutero) e os que apreciavam a genialidade de Michelangelo. O artista foi acusado de ser insensível ao evento que estava a pintar, imprimindo-lhe um estilo muito pessoal e "inadequado". O Concílio de Trento criou inclusive decretos, expondo que tais manipulações de representações não eram permitidas e toda a arte que tivesse essas características era passível de censura e até destruição.
Uma das histórias mais pitorescas que envolve esta obra é a famosa imagem de Minos - o Juíz do Submundo que se encontra no canto inferior direito da pintura.
Biagio de Cesena, o Mestre de Cerimónias do Papa era um dos maiores críticos desta obra. Ele dizia que "era uma completa desgraça por expôr figuras despidas, provocando uma completa vergonha" e que não era obra para ficar numa capela e sim em"wc's públicos e tabernas".
Michelangelo, que já percebemos, não era propriamente o tipo de pessoa submissa mas antes um homem de personalidade muito forte, usou Minos para fazer uma representação de Cesena, pintando-o com orelhas de burro, nú e com uma cobra a morder-lhe os genitais 😂
Cesena reclamou junto do Papa, que brincou dizendo que "sua jurisdição não se estendia até o inferno e que por isso nada podia fazer", continuando assim, até aos dias de hoje a pintura na capela.

E pronto, amiguinhos, termino por aqui. Claro que havia mil e uma coisas mais a dizer sobre esta capela e também, claro, sobre o Museu do Vaticano onde ela está inserida. É uma visita que aconselho vivamente que façam (quem ainda não foi) e escolham a visita guiada, por favor, vão adorar. São aproximadamente 3 horas de visita e do Museu têm entrada directa para a Basílica de S.Pedro, sem terem que passar horas na fila para entrar.
Nós, como estávamos com as meninas e elas estavam francamente cansadas e com fome, optámos por visitar a Basílica num outro dia, mas recomendo que o façam no dia em que visitarem o Museu.

Ficou a faltar falar da Stanze di Raffaello, quatro salas seguidas de obras de Rafael onde podemos apreciar o famosíssimo quadro "A Escola de Atenas", entre outros.
Digo-vos, ver finalmente ao vivo "A Escola de Atenas" do meu primo Rafael 😏 foi mais uma vez, uma experiência única. Vale imenso a pena, é de facto uma obra magistral, mas pronto, lá estou eu a repetir-me!
Deixo-vos aqui uma foto da sala onde está esta obra para vos abrir o apetite - contem é com centenas de pessoas lá dentro, claro!

E se entretanto forem visitar Roma e, porventura, o que vos tenho vindo a escrever servir de alguma coisa, então já valeu a pena!

Grazie mille!!